Dominada pela silhueta majestosa da Serra do Socorro, a história desta freguesia remonta à origem, que se crê muito antiga, da povoação de Enxara dos Cavaleiros, que recebeu foral de D. Manuel I em 1519.

 
 
  Exterior da Igreja N. Sra. da Assunção.

Pertencia ao Concelho de Enxara dos Cavaleiros, extinto em 1855, pelo qual passou para o de Mafra.

A paisagem é dominada por uma ruralidade muito acentuada, sendo notável o património edificado, especialmente o religioso. Como principais templos apontam-se a Igreja de Nossa Senhora da Assunção e a Capela do Espírito Santo, em Enxara do Bispo, a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, em Enxara dos Cavaleiros, a Capela de Santa Comba, em Vila Pouca, e a Ermida de Nossa Senhora do Socorro, na Serra do Socorro.

Apesar de não se saber ao certo a data de construção da Igreja de Nossa Senhora da Assunção, dá-se quase como certo pertencer ao período manuelino, como indica a inscrição existente no exterior, que data a sua sagração de 1534 pelo Bispo D. António. Devido ao terramoto de 1755 ruiu a abóbada da única nave. Apresenta azulejos setecentistas na capela-mor, representando cenas da vida de Nossa Senhora, e ainda um arco quinhentista no acesso ao baptistério, uma pia baptismal e duas de água benta manuelinas.

A Capela do Espírito Santo foi Igreja Matriz quando esta ruiu em 1755. Possui duas portas de estilo manuelino, sendo a principal quadrilobada, com animais fantásticos, elementos vegetativos e cordame. O seu interior alberga uma pia de água benta igualmente manuelina.

Reza a lenda que a Ermida de Nossa Senhora do Socorro, no alto da serra com o mesmo nome, de onde se disfruta uma admirável vista panorâmica, foi mesquita, convertida em templo católico por D. Afonso Henriques e reedificada no reinado de D. Manuel I. Consta, também, que o fundador terá sido o mesmo indivíduo que mandou fazer a matriz. Como o lugar de Enxara se começasse a povoar e ele desejasse viver sozinho, ter-se -ia mudado para este local, acabando sepultado num sarcófago de pedra que terá existido até ao século XVIII, adossado à parede da matriz. As pedrarias manuelinas visíveis no interior dão uma indicação da origem do templo, palco de um incêndio em 1996 que destruiu quase todo o seu recheio.

 
  Ermida de N. Sra. do Socorro.
 
  Interior da Igreja N.Sra. da Assunção.